Tônia Carrero,23 de agosto de 1922

NOME COMPLETO: Maria Antonieta Portocarrero Thedim
LOCAL e DATA DE NASCIMENTO: Rio de Janeiro, 23 de agosto de 1922


Tonia marcou não só por sua beleza, como pelas suas marcantes interpretações em cinema, teatro e televisão.
Casou-se três vezes.
A primeira vez com   o artista plástico Carlos Arthur Thiré, com quem teve um filho,o ator Cecil Thiré.
Sobre o primeiro marido, Carlos Arthur Thiré: “Era um jovem rebelde, filho de desquitados, civil. Um artista desesperado que num redemoinho envolveu-me, formou-reformou minha cabeça”.
 



A segunda vez com Adolfo Celli .
Sobre o segundo marido, o italiano Adolfo Celi: “Foi uma paixão atroz, e como toda paixão acabou um dia. O homem mais importante da minha vida, por ser homem de teatro”.



  E a terceira vez com o empresário César Thedim.
Sobre o terceiro marido, o empresário César Thedim: “Ele era muito divertido, maravilhoso, não como companheiro. Melhor dos amigos e pior dos maridos”.




Tem três netinho, todos atores: Miguel Thiré,Luísa Thiré e Carlos Thiré;  e cinco bisnetos.









Um comercial que ela fez:


Escreveu um livro de memórias "O Monstro dos Olhos Azuis"
 
 “Tudo na minha vida aconteceu em decorrência de paixões. Sempre quis viver longe da racionalidade. A paixão me empurrou, me fez fazer coisas e por isso não me arrependo de nada”.




___________HOJE ____________




Hoje,Tonia está com 89 anos de idade.(agosto de 2011).
Por motivos de saúde, uma das maiores estrelas do teatro e da TV brasileira, que viveu intensamente seu ofício, está reclusa em casa, no Jardim Botânico, zona sul do Rio.
Tonia não recebe amigos, raramente atende a telefonemas. Está na companhia de um enfermeiro e de alguns poucos parentes próximos.
Mas afinal o que aconteceu com Tonia? Segundo o sobrinho Leonardo Thiery, que convive com ela atualmente, a atriz sofre de um comprometimento nos nervos que fazem a ligação com as pernas. Tonia se locomove com ajuda. “É um problema neurológico que a impede de caminhar com facilidade. Mas está lúcida, vê televisão todo dia.


Sua última apresentação nos palcos foi em 2007, com a peça “Um barco para o sonho”, na qual foi dirigida pelo neto, Carlos Thiré. Foram seis meses em cartaz no teatro Maison de France, centro do Rio. Sucesso de público e de crítica, como sempre esteve habituada na carreira. Na televisão, sua aparição já estava bastante escassa. Fez uma rápida participação em 2007, no extinto Sob Nova Direção, da TV Globo. Não atua em uma novela desde 2004, quando esteve no elenco de “Senhora do Destino”, ao interpretar a divertida Madame Berthe Legrand.



Como é, para você, uma mulher que foi muito bonita na juventude, chegar aos 80 anos?

Tônia Carrero - É estranho. Quando fiz 70, achava que aos 80 seria frágil, que as pessoas iam me olhar na rua e dizer (faz uma voz esganiçada): 'Olha aquela velhota tão fraquinha, coitadinha dela!' Passo longe disso, mas é claro que sinto diferença. Só tento fazer com que os outros não percebam. Não saio mais com as pernas ou os braços de fora, escondo as partes que entregam minha idade. Meu ritmo está mais lento para tudo, sinto mais dificuldade para levantar de uma cadeira, para lembrar de nomes. E olhar no espelho é uma tristeza. Quando fiz 60 anos, sofria muito ao lembrar como eu era e ver, em minha imagem refletida, que não estava mais tão bonita. Era muito sofrimento. CCom o tempo, fui me acostumando. A gente se acostuma a tudo, né?


O que, por exemplo, você pode dizer agora que não diria antes?

Tônia - Hoje consigo falar sobre meus amores. Posso dizer que tive um caso com Rubem Braga (o escritor) e outro com Paulo Autran (o ator), enquanto era casada com Carlos Thiré. E sei que agora isso não abala em nada minha respeitabilidade. Coitado, o Thiré foi bem corneadinho... Mas o que ele fez comigo não foi brincadeira. Às vezes, chegava em casa e dizia: 'Sabe aquela sua amiga? Ontem saí com ela'. As amantes dele iam lá em casa, eu sabia de tudo.


A idade tem vantagens. Hoje posso dizer que tive caso com Rubem Braga e Paulo Autran, enquanto era casada com Carlos Thiré. E sei que agora isso não abala minha respeitabilidade.'
Como foi sua paixão por Paulo Autran?

Tônia - Fulminante. Conheci Paulo e me apaixonei completamente por ele (os dois estrearam juntos no teatro em 1949, na peça Um Deus Dormiu lá em Casa). Meu filho Cecil (Thiré, hoje ator) era tão pequenininho... Achava Paulo um talento para o teatro, mas inventei de fazer uma peça com ele também porque queria uma desculpa para ficar perto. Eu disse: 'Se não for com ele, não faço'. Paulo era advogado e não queria largar a profissão. Só para me testar, pediu um salário absurdo. E eu dei. Deixei de receber meu salário só para ficar perto dele. Eu não ganhava um tostão. Com o tempo, a paixão foi acabando.




Você fala muito das mudanças vindas com o tempo. Mas, hoje, se sente bem?

Tônia - Muito bem. Melhor do que eu achava que estaria a esta altura. Eu me sinto mais inteligente, mais calma, lúcida e bem-disposta. Consigo até encostar as mãos no chão sem dobrar as pernas, olha só (levanta-se e mostra o corpo alongado). O que me entristece mais é perder amigos, vê-los partir. Meu truque agora tem sido arrumar amigos mais novos que eu, cercar-me de pessoas jovens.

Você tem algum problema de saúde?

Tônia - Não é exatamente um problema, mas tenho um dreno na cabeça. Há quatro anos caí da escada da minha casa e bati a cabeça na parede. Não aconteceu nada, mas dois anos mais tarde comecei a ficar com dificuldade para caminhar e descobri que estava com hidrocefalia (excesso de líquido no cérebro). Fiz uma pequena cirurgia e botei um dreno debaixo do couro cabeludo. Não vejo e não sinto nada. É como se tivesse um ladrão na minha caixa-d'água.



Quantas plásticas já fez?

Tônia - Fiz três no corpo: uma na barriga, outra na coxa e uma terceira nos seios. Todas com Pitanguy. Depois fiz mais duas no rosto. Agora faço só 'manutenções' periódicas, com aplicações de Botox. Aconselho qualquer mulher que tenha dinheiro a fazer plástica. Sou a favor. Nossa imagem física tem um efeito enorme sobre a imagem mental. É bom saber que, mesmo depois de velha, é possível andar um pouquinho para trás no tempo.  



Tem namorado?

Tônia - Não, estou sozinha. Não me sinto solitária, mas acho chato não ser mais desejada pelos homens. Lembro com saudade do tempo em que me arrumava porque sabia que me achariam bonita. O fato de nenhum homem me achar atraente a esta altura da vida é muito duro. Tenho a sensação de que, por causa disso, meu charme diminui loucamente.

Tônia Carrero assume: está velha. Esquece nomes, os movimentos são mais lentos, o rosto já não é o mesmo - lindíssimo - de antes. Aos 80 anos, completados no dia 23 de agosto, perdeu o pudor de dizer que está menos bonita, menos atraente, menos esbelta. 'Olhar no espelho é uma tristeza', admite. Confessa também que se deprime ao pensar que não é mais desejada pelos homens. Demonstra a consciência da idade avançada até na peça A Visita da Velha Senhora, do suíço Friedrich Dürrenmatt, que estréia no Rio de Janeiro no dia 25 com ela no papel da velha do título. Mas, apesar do tom por vezes melancólico com que fala da velhice, se diz feliz. 'O teatro rejuvenesce.'




Ao contrário de Vinícius, Drummond virou o rosto ao ser apresentado à atriz, nos anos 40. "Depois, ele me disse que era difícil me encarar no auge dos meus 21 anos", conta. O rosto e o corpo de Tônia, chamada pelos amigos de Mariinha, impressionavam. Em 1952, seu perfil foi reproduzido nas moedas de dez cruzeiros. "Tinha 30 anos e fiquei lisonjeada", conta. Tônia estrelava os filmes da produtora Vera Cruz e encantou o diretor de teatro Adolfo Celi, seu segundo marido por 11 anos. Apaixonado, deixou Cacilda Becker, com quem mantinha um caso havia um ano, para se casar com a atriz. "Cacilda levou a história a sério e paramos de nos falar", lembra Tônia. Só 11 anos depois, separada de Celi, se reconciliou com a colega. "Disse a ela que ficara com Celi porque, no fundo, queria ser ela", conta Tônia. "E Cacilda disse: 'Sempre soube disso'." 




Com o terceiro marido, o engenheiro César Thedim, viveu 15 anos. "Nelson Rodrigues nem acreditou quando soube que me casaria de novo", lembra. "Disse que eu era mulher de um amor só." Com mais de 20 peças no currículo, nos anos 50 Tônia montou, com o ator Paulo Autran e Adolfo Celi, uma companhia de teatro. "Após sete anos, Celi e Autran saíram e eu continuei", diz. Ela ainda mantém a companhia, TAC - Tônia, Autran e Celi -, da qual o filho Cecil Thiré, 56 anos, é sócio. "Mamãe é uma mulher exuberante", diz o ator. "Concentrada no trabalho, não dá papo. Fora isso, é acolhedora e generosa."  




Tônia não quis mais ter filhos. Nem tentou. "O Thiré não queria e ficou furioso comigo quando soube da minha primeira gravidez", conta. A atriz escondeu do marido até o terceiro mês de gestação. "Depois, acabou aceitando", conta. Hoje, ela se orgulha ao ver o filho e dois de seus quatro netos, Luíza, 28 anos, e Carlos, 27, seguindo sua carreira. Eterna vaidosa, Tônia - bisavó de Vítor, 6 anos, e Juliana, 3, filhos de Luíza - é a favor dos recursos para cultivar a beleza. "Plástica para mim é uma questão de higiene, de amar a si próprio", diz. A atriz se submeteu a três cirurgias para suavizar rugas. "É mais simples e bonito a pessoa que conserva seu rosto do que aquela que se entrega."





Nas ruas de Paris, em 1947, com o marido, o cenógrafo Carlos Thiré, a professora de educação física Maria Antonieta Portocarrero esbarrou com o escritor Rubem Braga. Surpresa, horas depois soube que o encontro não fora casual. "Ele estava completamente apaixonado por mim e me seguiu até lá", conta. Tônia se rendeu ao escritor, com quem teve um romance por seis meses. "Nos encontrávamos numa garçonniére de um amigo dele", lembra. Caminhando com ela na praia do Leblon, Rubem fez um soneto. E ameaçou se suicidar caso ela o abandonasse, dizendo que se jogaria na frente de um carro.




_______________ TRABALHOS FEITOS PELA ATRIZ ________________

 

No teatro

 No cinema

  • 2008 - Chega de Saudade
  • 2005 - Vinicius (documentário), com direção de Miguel Faria Jr
  • 1990 - O Gato de Botas Extraterrestre, com direção de Wilson Rodrigues
  • 1988 - Sonhos de Menina Moça, com direção de Tereza Trautman
  • 1988 - Fogo e Paixão, com direção de Isay Weinfeld e Márcio Kogan
  • 1988 - A bela Palomera, com direção de Ruy Guerra
  • 1977 - Gordos e Magros, com direção de Mário Carneiro
  • 1969 - Tempo de Violência, com direção de Hugo Kusnet
  • 1962 - Copacabana Palace, com direção de Steno
  • 1962 - Sócio de Alcova, com direção de George Cahan
  • 1962 - Esse Rio que Eu Amo (episódio Noite de Almirante), com direção de Carlos Hugo Christensen
  • 1961 - Alias Gardelito, com direção de Lautaro Murua
  • 1955 - Mãos Sangrentas, com direção de Carlos Hugo Christensen
  • 1954 - É Proibido Beijar, com direção de Ugo Lombardi
  • 1952 - Apassionata, com direção de Fernando de Barros
  • 1952 - Tico-Tico no Fubá, com direção de Adolfo Celi
  • 1950 - Quando a Noite Acaba, com direção de Fernando de Barros
  • 1949 - Caminhos do Sul, com direção de Fernando de Barros
  • 1947 - Querida Suzana, com direção de Alberto Pieralisi

Na televisão




---------------------> Livro sobre sua vida Movida pela paixão, de Tania Carvalho

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